Sentinela
Abel e Caim

Não vou mais tentar a sorte, não vou mais viver em guerra
Contra a grande saudade que tenho da minha terra
Vou rever os verdes campos onde o pantaneiro berra
Vou beber água da mina que brota no pé da serra

Eu quero ser novamente tão alegre como eu era
Abraçar minha mãezinha que rezando me espera
Quero ouvir a passarada nas manhãs de primavera
E ver meu pai cachimbando na soleira da tapera

Vou embora pro sertão onde a natureza impera
Onde pia o inhambuzinho na soqueira da tiguera
Quero ver Maria Rita a minha florzinha bela
Mais pura que a flor do campo nem beija flor beija ela

Vou levar Maria Rita na altar lá da capela
Todo enfeitado de flor iluminado de velas
Ela vai ser o meu guia, eu serei seu sentinela
Quando Deus mandar a morte, vou morrer nos braços dela