O Valente Durão
Elino Julião

Morreu durão, Morreu durão
Com uma bruta peixeira empunhada na mão

Numa certa noite de sexta-feira
Com a força da lua querendo minguar
Foi abocanhado na encruzilhada
Por causa da Chica de Zezé do Bar

Era noite de festa e durão esqueceu
De trazer consigo a sua oração
Um tiro certeiro rasgou o seu peito
Morreu por amor o valente durão

No canto do galo, com chuva e com tudo
Seu corpo estendido sem tirar do chão
No fundo da noite uma voz se ouvia
Morreu durão com sua valentia

Existe uma cruz do tamanho de um homem
Coroa de rosa com um escrição
Um pouco de vela num raio de luz
Juntinho do corpo do velho durão