Casa
Emicida

Ôôô ôô

Lá fora é selva
A sós entre luz e trevas
Nós, presos nessas fases de guerra, medo e monstros, tipo Jogos Vorazes
É pau, é pedra, é míssil
E crer, é cada vez mais difícil
Entende o negócio: nunca foi fácil
Solo não dócil, esperança fóssil
O samba deu conselhos: ouça
Jacaré que dorme, vira bolsa, amor
Eu disse no começo
É quem tem valor, versus quem tem preço
Segue teu instinto, que ainda é
Deus e o Diabo na terra do sol
Onde a felicidade, se pisca, é isca
E a realidade, trisca, anzol
Corre!

O céu é meu pai
A terra, mamãe
E o mundo inteiro é tipo a minha casa
O céu é meu pai
A terra, mamãe
E o mundo inteiro é tipo a minha casa

Aos quinze, o Saara na ampulheta
Aos trinta, tempo é treta
Rápido como um cometa
Hoje a fé numa gaiola, o sonho na gaveta
Foi pelo riso delas que vim
No mesmo caminho por nós, tipo Mágico de Oz
Meu coração é tamborim, tem voz, sim
Ainda bate veloz
Entre drones e almas, flores e sorte
Se não me matou, me fez forte
É o caos como cais; sem norte
Venci de teimoso, zombando da morte
Sem amor, uma casa é só moradia
De afeto, vazia
Tijolo e teto, fria
Sobre chances, é bom vê-las
Às vezes se perde o telhado, pra ganhar as estrelas
Tendeu?

O céu é meu pai
A terra, mamãe
E o mundo inteiro é tipo a minha casa
O céu é meu pai
A terra, mamãe
E o mundo inteiro é tipo a minha casa

Ah, a gente já se acostumou
Que a alegria pode ser breve
Mostre o sorriso, tenha juízo
A inveja tem sono leve
À espreita, pesadelos
São como desfiladeiros
Chão, em brasa
Nunca se esqueça o caminho de casa

O céu é meu pai
A terra, mamãe
E o mundo inteiro é tipo a minha casa
O céu é meu pai
A terra, mamãe
E o mundo inteiro é tipo a minha casa
Ôôô ôô