Espinha de Bacalhau
Gal Costa

Eu também sei desconsolar num tom difícil de cantar
É meu talento além do som daquela onda eu fui dançar
Dancei tão bem adocicando o teu batom como um bombom
Te lambuzei com a minha frase mais redonda
Atriz atroz da insensatez, fui traduzindo em português
O amor que fez tua falsidade mais profunda
E corro atrás da vida fácil em que você quer me levar
Quero morar num bangalô, chorar na mesa nunca mais
Saxofone ou Satanás me intoxica com teu gás
O lado bom do coração que nos separa dos metais
Se a vida é cara, gigolô, só meu amor conhece a cor
Das harmonias da Orquestra Tabajara
Sei que é difícil respirar quando a paixão quer sufocar
Meu coração, por isso eu canso na garganta, ah meu amor
O nosso veneno é no caroço da canção
É como um vício e tem sabor que a fala presa não desfaz
Não sei quem pintou tua cor, tua tez, teu sabor
Com a mocidade onde eu pecava
Minha emoção já não dava essa voz
Talvez sonhando dancei nu ao lado do abajur
Devo ter te beijado com paixão
Foi quando um popular me despertou , me deu notícias
Que esse amor de gafieira não tem mais
Apresentei o meu sorriso e alguém de lá me perguntou
Onde é que eu estou que não agarro essa morena pra dançar
E eu lhe falei não é preciso padecer na solidão
Meu coração, a solidão não vale a pena
Sei que é difícil respirar quando a paixão quer sufocar
Meu coração, por isso eu canso na garganta, ah meu amor
O nosso veneno é no caroço da canção
É como um vício e tem sabor que a fala presa não desfaz