O Valentão
Léo Canhoto e Robertinho

Fui dançar numa fazenda
Era festa de São João
Bem longe, muito longe
Lá no fundo de um grotão
No meio da barraca tinha um fraco lampião
Tocando a oito baixos tinha um baita de um negrão
A turma sapateava
Levanta poeirão
De repente chegou um sujeito valentão
Entrou lá na barraca arrastando a espora no chão
Já pegou no 38 e foi aquele barulhão

O valentão:
Não assuste não tigrada
Eu sou amigo de todo mundo
Gaiteiro...continue tocando tchê

Pare, pare!
Quem foi o atrevido que deu tiros aqui na minha festa?

O valentão:
O que é que há Indio Velho?
Foi eu que atirei

Não, não não...é só pra saber

O valentão:
Então gaiteiro..continue tocando diabo

Quando deu a meia-noite foi aquela confusão
O pau quebrou direito era feia a situação
O valente pegou seu cavalo alazão
Amarrou lá na barraca derrubou tudo no chão
Foi tão grande a gritaria no meio da escuridão
Alguém já fez o fogo para fazer o clarão
Acharam o sanfoneiro lá debaixo do porão
E começou tudo de novo na maior animação

O valentão:
Gaiteiro..continue tocando se não te rodeio umbigo de bala

Foi uma festa tão boa que não esqueço mais não
Me lembro com saudade daquele bailinho bom
O povo era bacana tinha uma fina educação
O sujeito valente tinha um bom coração
O sol vinha surgindo lá no alto do espigão
A festa continuava era grande a diversão
O valente bebeu ficou meio boratião
Mesmo assim ele falava com seu revólver na mão

O valentão:
Gaiteiro..toque mais uma se não tu deita na fumaça