Bom de Bico
Lourenço e Lourival

No dia que me casei
Deu um bafafá danado
Casei na delegacia
Lá do nosso povoado

O juiz que me atendeu
É um famoso delegado
O padre com a cerimônia
Foi um bando de soldado

Meu sogro foi testemunha
Com um revolver carregado
Se acaso eu dissesse não
Eles tinham me matado

Um casamento forçado
Muitas vezes não é ruim
Eu sofria pelo mundo
Hoje vivo num jardim

Sei que eu não quis casar
Mas eles quiseram assim
Durmo no colchão de mola
Não durmo mais no capim

Brigo muito com a mulher
Mas as brigas vão ter fim
No dia que eu bato nela
Meus cunhados bate em mim

Trabalhar eu não trabalho
Não dou bola pra ninguém
Sustentar filha dos outros
Eu acho que não convém

Gosto de viver encostado
Sempre nas custas de alguém
Vida boa igual a minha
Não é qualquer um que tem

Lá na casa do meu sogro
Vou vivendo muito bem
Ele trata da mulher
E trata de mim também

Canto moda de viola
Para não ouvir fuxico
O velho até suspira
Nos ponteado que eu repico

O velho que era pão duro
Já deixou de ser ridico
Viver na custas dos outros
Eu levo a vida de rico

Fome eu não passo mesmo
Sem dinheiro eu não fico
Pra viver sem trabalhar
Precisa ser bom de bico