Matuto
Lourenço e Lourival

A vida que a gente leva na cidade eu não agüento
O nosso céu cor de anil aqui só vejo cinzento.
Os carros e as industrias, o barulho é um tormento
Pago caro água e luz e um aluguel violento
Estou perdido na selva de ferro, pedra e cimento.

Vou voltar pro meu sertão onde vejo a lua cheia
Retirada do comercio umas seis léguas e meia.
A onde o fogão a lenha bem cedinho a fumaceira
A onde o homem é livre prepara a terra e semeia.
Quem vive em apartamento quase mora na cadeia.

Quem nunca viu o sertão viva comigo e veja
A festa da passarada lá no paraíso verde
Com água pura da mina eu mato a minha sede
A noite no meu ranchinho eu deito na minha rede
Lá dentro eu vejo a lua no buraco da parede.

Falando em tranqüilidade no sertão eu não discuto
Lá durmo de porta aberta num sossego absoluto
Deus manda chuva na terra, planto e colho os frutos
Longe da poluição, violência e crimes brutos
E o orgulho que eu tenho que me chame de matuto.