Esquina do Adeus
Milionário e José Rico

Navegando vida afora,
pelo mar da esperança
aprendi desde criança
sobre as ondas me manter

Ao raiar da juventude
vi passar depressa os anos
na maré dos desenganos
consegui sobreviver

E venci nessa jornada
furacões e tempestades
e mentiras e verdades
que na vida todos tem

mas perdi a grande luta
para uma dor constante
a saudade alucinante
que eu sinto de alguém

Guardião dos navegantes
esse mar misterioso
que destino caprichoso
lhe pergunto é o meu

Se o passado está morto
nos confins da mocidade
por que vivo de saudades
de um amor que já morreu

Olhos tristes sonhadores
que me olhavam com ternura
quando eu era a criatura
mais feliz que pôde haver

Qual será o felizardo
que agora te fascina
o encanto de menina
nunca pude te esquecer

Quantas vezes eu comparo
o passado e o presente
Tu surgiste mansamente
enfeitando os dias meus

Fui feliz mas veio o tédio
como sempre dominando
e deixei-te soluçando
na Esquina do Adeus

Tu me amaste na idade
da paixão mais comovida
mas saí da tua vida
sem notar o que deixei

Já cansado da procura
de ilusões e sonhos loucos
hoje estou morrendo aos poucos
pelo amor que desprezei

Hoje estou morrendo aos poucos
pelo amor que desprezei